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Os benefícios da oração


O amor aumenta a força das orações

Nos últimos dez anos surgiram mais de 1.500 publicações científicas que destacam a influência de certas práticas religiosas, sobretudo a oração, na recuperação/estacionamento de enfermidades, na serenidade dos doentes terminais e na manutenção da harmonia íntima das pessoas.

A oração deve, pois, se constituir em hábito em nossas vidas.Um recurso permanente de comunhão com Deus. Cultivar oração é tê-la como elemento natural na vida, tal como a própria respiração; assim procedendo estaremos em sintonia constante com a Fonte divina.Por isso, Jesus insiste que devemos orar sempre.

Longe, porém, de ser uma atitude esporádica, ou uma obrigação de participar em determinados dias, no culto de sua preferência, desta ou daquela crença religiosa.

Vários estudos acadêmicos publicados são irrepreensíveis por estarem cercados de cuidados impostos pelo método científico e por apresentarem resultados estatísticos confiáveis.Como exemplo, citamos apenas três para ilustrar o assunto:

  1. os trabalhos do psiquiatra norte-americano Harold G.Koenig, professor de Psiquiatria e Ciências comportamentais da Universidade Duke, Carolina do Norte (EUA), que no seu livro Espiritualidade no Cuidado do Paciente, publicado pela editora espírita FE, destaca os efeitos das crenças espirituais na saúde das pessoas, até mesmo a oração, propondo condutas médicas específicas;
  2. as pesquisas do médico Jeff Levin, professor de Medicina preventiva e de Gerontologia das universidades do Texas (EUA) e de Michigan (EUA), respectivamente. Em sua obra Deus, Fé e Saúde (editora Cultrix-Pensamento) o autor revela como a prece, a meditação e a fé, independentemente do vínculo religioso do indivíduo, podem prevenir doenças, promover a saúde e o bem-estar, além de reduzir taxas de mortalidade, transformando-se em recursos de renovação mental, com o fortalecimento da esperança e do otimismo;
  3. o amplo estudo realizado pelo cardiologista Randolph Byrd, do Hospital Geral de São Francisco, Califórnia (EUA), cujos resultados indicam que as “pessoas que adotam práticas religiosas ou mantêm alguma espiritualidade apresentam 40% menos chance de sofrer de hipertensão, têm um sistema de defesa mais forte, são menos hospitalizadas, recuperam-se mais rápido e tendem a sofrer menos de depressão quando se encontram debilitadas por enfermidades”.

O psicólogo brasileiro João Figueiró, do Centro Multidisciplinar da Dor do Hospital das Clínicas de São Paulo, informa que “setores do sistema nervoso relacionados à percepção, à imunidade e a emoções são alteráveis por meio das crenças e significados atribuídos aos fatos, entre outros fatores. Assim, um indivíduo religioso tem condições de atribuir significados elevados ao seu sofrimento físico e padecer menos que um ateu ou agnóstico”.

A oração é prática usual espírita, incentivada para ser realizada todos os dias e proferida em voz alta ou mentalmente.

Por ela,“[...] podemos fazer três coisas: louvar, pedir, agradecer”.

Ensina o Espiritismo que o poder da prece está no pensamento. Não depende de palavras, nem de lugar, nem do momento em que seja feita. Pode-se,portanto, orar em toda parte e a qualquer hora, a sós ou em comum. A influência do lugar ou do tempo só se faz sentir nas circunstâncias que favoreçam o recolhimento.

Emmanuel, por sua vez, recorda que a oração refrigera, alivia, exalta, esclarece, eleva, mas, sobretudo, afeiçoa o coração ao serviço divino.

Em qualquer posição de desequilíbrio, lembra-te de que a prece pode trazer-te sugestões divinas, ampliar-te a visão espiritual e proporcionar-te consolações abundantes.

Importa considerar, contudo, que duas (aparentes) contradições foram identificadas nas pesquisas sobre a oração, sem explicação plausível para a maioria dos cientistas. Uma, e mais comum, refere-se ao fato de que a oração não beneficiaria todos os doentes porque persiste a pequena parcela de pacientes cuja enfermidade prossegue na sua marcha contínua, inexorável. A outra contradição indica que a oração produziria efeito contrário: agravamento do quadro clínico e morte súbita do paciente.

A ausência de respostas a tais questionamentos acontece porque a prática médica ainda permanece centrada no corpo físico, persistindo na ignorância acerca da realidade espiritual e de certas implicações transcendentais. Contudo, são resultados facilmente elucidados pelo Espiritismo.

Logo, não há muito a ser feito. No primeiro tipo de contradição, vários fatores justificam o progresso de uma doença, a despeito da prece e da assistência familiar, médica e hospitalar. Entre eles, podemos considerar que, efetivamente, se aproxima o tempo previsto para a desencarnação da pessoa.Outros fatores poderiam estar relacionados ao quadro provacional do doente, à sua predisposição para captar e absorver as energias curadoras da prece, a gradação de sua fé ou o entendimento que possui sobre a vida após a morte do corpo.

Por outro lado, é preciso considerar o teor (qualidade) das energias emitidas por quem ora. Não basta mera repetição de palavras: cada ideia emitida na oração deve ser impregnada das elevadas vibrações de amor ao próximo.

Neste sentido, destaca-se o resultado de um estudo publicado no respeitável periódico científico The American Journal of Medicine, que envolveu a participação de 10.000 pacientes: “O amor aumenta a força das orações”.

Sendo assim, é válido considerar as seguintes ponderações de Kardec quando ele analisa a sentença de Jesus:

“Tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis” (Mateus, 21:22)"

Seria ilógico concluir desta máxima:

“Seja o que for que peçais na prece, crede que vos será concedido”, que basta pedir para obter, como seria injusto acusar a Providência se não atender a toda súplica que lhe é feita, uma vez que ela sabe, melhor do que nós, o que é para o nosso bem.

É assim que procede um pai criterioso que recusa ao filho o que seja contrário aos seus interesses. O homem, em geral, só vê o presente. Ora, se o sofrimento é útil à sua felicidade futura, Deus o deixará sofrer, como o cirurgião deixa que o doente sofra as dores.

Entretanto, na maioria das vezes, o que o homem quer é ser socorrido por um milagre, sem nada fazer de sua parte.

A outra contradição, revelada nas pesquisas que indicam agravamento de enfermidades e a morte subsequente do paciente, após/durante as orações, indica, ao contrário do que se supõe à primeira vista, um elevado benefício concedido pela misericórdia divina ao doente, que o liberta do jugo de um corpo que já não lhe é mais útil e que só lhe provoca sofrimentos.

Nessas condições, a oração atraiu a presença de bondosos Espíritos que atuam nos processos do desligamento perispiritual, amenizando ou anulando as dificuldades e dores vivenciadas pelo enfermo.

O certo é que, por força dos acontecimentos, a Ciência está sendo convocada a rever os seus métodos e fundamentos materialistas.

Felizmente,muitos cientistas e estudiosos revelam possuir visão progressista, de forma que uma nova disciplina já está em fase de inclusão no currículo médico e de profissões afins, denominada neurobiologia (bioteologia ou neurociência espiritual).

O objetivo da neurobiologia é descobrir processos cognitivos que produzem experiências espirituais ou religiosas, relacionando-as com padrões de atividade no cérebro, como ocorre a evolução humana desse processo e quais são os benefícios dessas experiências.

Nesse contexto, mesmo que as pessoas não percebam os inestimáveis benefícios da oração, esta deve favorecer, sempre, a melhoria do ser, assim evidenciado por Jesus:

“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação...” (Mateus, 26:41.)

 

Marta Antunes Moura
Reformador - Janeiro de 2010
Republicado em 15/03/2015